quinta-feira, 19 de outubro de 2017

António Pinho Vargas

António Pinho Vargas nasceu em Vila Nova de Gaia, em Agosto de 1951.

Colabora com os A Grelha, grupo de rock do Porto. Em 1970 fundou, com Carlos Zíngaro e Jorge Lima Barreto, a Associação de Música Conceptual. 

Com Lima Barreto e Artur Guedes faz parte do Anar Jazz Trio. Com Artur Guedes, José Nogueira e Pedro Cavaco forma os Abralas (1975/77).

Licencia-se em História pela Faculdade de Letras do Porto. Foi professor de História nos anos de 1975 e 1976. Tira o curso superior de Piano do Conservatório de Música do Porto. Enfrenta os anos 70 com algumas dificuldades pessoais pelo facto de querer ser músico de jazz. 

Colabora com o  grupo de jazz Araripa de João Heitor e José Eduardo. Com este grupo participa, em 1976,  nas gravações do álbum "Malpertuis" de Rão Kyao. Participa também no disco "Bambu" de Rão Kyao, editado em 1978.

Ainda com José Nogueira faz parte do grupo de jazz-rock instrumental Abralas (ex-Zanarp). Os dois músicos fazem também parte da primeira formação dos Jáfumega. Durante algum tempo integra os Arte & Ofício com quem grava, em 1979, o álbum "Faces". Sai do grupo em 1982.

Entra para a Banda Sonora de Rui Veloso com quem grava o álbum "Fora de Moda". 

Em 1982 fez parte do Quarteto de Rão Kyao juntamente com Mário Barreiros e José Eduardo. Participa nas gravações do álbum "Ritual" de Rão Kyao. Nesse ano frequenta os cursos de Emmanuel Nunes.

Em 1983 grava o seu disco de estreia, "Outros Lugares". O Quarteto que gravou o disco incluía ainda Mário Barreiros, Pedro Barreiros e José Nogueira. 

Em 1984 volta a colaborar com Rão Kyao participando nas gravações do álbum "Estrada da Luz" .

O seu segundo álbum, "Cores e Aromas", é editado em 1985. O Quarteto que gravou o disco é o mesmo do seu disco de estreia.

Em 1987 é lançado o disco "As Folhas Novas Mudam de Cor".  O disco vende mais de 9.000 exemplares e atinge o top 10 de vendas. Nesse ano faz a banda sonora da peça "Hamlet", de William Shakespeare, com encenação de Carlos Avilez. Vai para a Holanda, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian,  estudar composição com o compositor Klaas de Vries.

Em 1988 compõe a música para o filme "Tempos Difíceis" de João Botelho pela qual recebeu o Prémio do Instituto Português de Cinema para a melhor música de Cinema. Também fez as bandas sonoras dos filmes "Uma Pedra No Bolso" (1988) e "Onde Bate o Sol" (1989) de Joaquim Pinto. 

Em Abril de 1989 é editado o álbum "Os Jogos do Mundo". Além de António Pinho Vargas participaram os instrumentistas José Nogueira (saxofones), Mário Barreiros (bateria), Quico (sintetizadores), Pedro Barreiros (contrabaixo) e Rui Junior (tablas e percussão).

Diplomou-se em Composição no Conservatório de Roterdão em 1990. A partir da sua passagem pela Holanda passa a dedicar-se principalmente à composição erudita contemporânea.

Em 1991 é lançado o disco "Selos e Borboletas" que foi canditado ao Prémio José Afonso. Neste ano inicia actividade de professor de Composição na ESM (Escola Superior de Música) de Lisboa. Trabalha com Amália num trabalho que não chegou a ser publicado devido a um problema de direitos com os herdeiros da poetisa Cecilia Meireles. Tinha outros projectos com a fadista mas que não chegaram a ser concretizados.

Em 1993 retoma a colaboração com João Botelho e Carlos Avilez para quem faz a banda sonora do filme "Aqui na Terra" e da peça "Ricardo II", respectivamente.

Nesse ano compôe "Monodia - Quasi Un Requiem", composição para quarteto de cordas. No ano seguinte é a vez de "Três Quadros para Almada" e "Nocturno\Diurno".

O CD "Monodia", gravado na Igreja da Cartuxa e no Estúdio A da RDP, foi editado, em 1995, pela EMI Classics. A edição contou com o apoio de Lisboa 94 - Capital Europeia da Cultura. Neste ano foi condecorado, pelo Presidente de República Portuguesa, com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique.

É o autor da obra "Nove Canções de António Ramos Rosa", para canto e piano.

Em 1996 é editado o álbum "A Luz e a Escuridão". O disco conta com a participação da cantora Maria João e do saxofonista José Nogueira.

Faz a banda sonora do filme "Cinco Dias, Cinco Noites" de José Fonseca e Costa. Por essa banda sonora recebe o prémio da melhor música do Festival de Cinema de Gramado (Brasil).

Apresentou, em 1996, na Culturgest, a ópera de câmara "Édipo - Tragédia do Saber", a partir de textos de Pedro Paixão.

A EMI-Valentim de Carvalho lança em 1998 a colectânea "As Mãos, O Melhor de António Pinho Vargas. O quarteto de cordas "Monodia - Quasi Un Requiem" foi tocado pelo Quarteto Artis de Viena e incluído no CD "Quartet Portuguese Chamber Music" do Arditti String (edição Etcetera Records).

Escreve a ópera "Três Versos de Caeiro" e "Os Dias Levantados", ópera em dois actos sobre o 25 de Abril, com libreto de Manuel Gusmão.

O CD "Versos" foi editado, em 2001, pela Strauss, com o apoio do IPAE. É também o autor da música do filme " Quem És Tu?" de João Botelho.

Em Novembro de 2001, desloca-se a Londres onde é um dos participantes no festival Atlantic Waves 2001. A compilação "Exploratory Music from Portugal 01" inclui "3rd Movement from "Trés Versos de Caeiro".

A Culturgest organizou um Festival António Pinho Vargas, entre 16 de Fevereiro e 6 de Março de 2002, com a maior parte da sua obra. Foi feito o documentário "António Pinho Vargas, notas de um compositor", encomenda da Culturgest, LxFilmes e RTP, com realização de Manuel Mozos e Luís Correia. A obra "Judas", resultado de uma encomenda do Festival de Música Sacra, foi estreada em Viana do Castelo.

A Afrontamento editou, ainda em 2002, o livro "Sobre Música" com sete ensaios e uma recolha de textos e entrevistas. 

É um dos membros fundadores da direcção artística da OrchestrUtópica formada em 2003. Participa também no disco "Movimentos Perpétuos - Música Para Carlos Paredes" com o tema "Dois Violinos para Carlos Paredes".

Em Fevereiro de 2004 é editado o CD com a gravação da ópera "Os Dias Levantados", realizada em 6 de Março de 2002, na Culturgest.

DISCOGRAFIA
Outros Lugares (LP, VC, 1983)
Cores E Aromas (LP, EMI, 1985)
As Folhas Novas Mudam De Cor (LP, EMI, 1987)
Os Jogos do Mundo (LP, EMI, 1989)
Selos e Borboletas (CD, EMI, 1991)
Monodia (CD, EMI Classics, 1994) 
A Luz e a Escuridão (CD, EMI, 1996)
As Mãos - O Melhor de António Pinho Vargas (Compilação, EMI, 1998)
Versos (CD, Strauss, 2001)
Solo (2CD, DFIE, 2008)
Solo II(2CD, DFIE, 2009)

COMENTÁRIOS
«Eu toquei rock em baile de finalistas, toquei e toco jazz, toquei com a Amália, o Carlos do Carmo, o Vitorino. Num dado momento comecei a trabalhar também noutra área, com possibilidades permanentes de trabalho. Julgo que o status da música erudita portuguesa nunca terá deixado de olhar para mim como aquele rapaz que veio do jazz e que agora compôe umas coisas contemporâneas e tal. É uma marca que transporto comigo, nada a fazer.» APV/DNA

«Uma das coisas escritas sobre mim que mais me comoveu foi 'O homem que fez com que começasse a ser possível falar de jazz português'. A minha vida como músico de jazz nos anos 80 foi relativamente semelhante ao que está a ser agora na música erudita. Também aí achavam que aquilo não era bem jazz...» APV/DNA

«Posso dizer que aprendi a não ter complexos de superioridade em nenhum momento. Aprendi a respeitar a diversidade, aprendi que um rapaz de 18 anos pode pegar num PC e ser mais criativo do que um estudante do conservatório que anda a ver se consegue tocar igual ao pianista X ou Y. É bom que a atenção seja recíproca, ou seja, que as tribos da pop, do rock, do metal ou da electrónica, não se fechem demasiado com base num complexo qualquer e perceba que o mundo é mais diverso do que aquilo que pensam. A mensagem fundamental é estar atento à diversidade do Mundo!» APV/Divergências (2004)

NO RASTO DE...
Lecciona Composição na Escola Superior de Música de Lisboa.

Biografia retirada de Anos80

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Ana Paula Reis

Ana Paula Reis é filha da cantora Teresinha Reis e de Zuzarte Reis (o responsável pela rubrica "Repórter da História" da Rádio Renascença).

Durante vários anos foi locutora da RTP.

Em 1984 gravou o Máxi-single "Utopia". O disco, em vínilo branco, incluía duas versões - a versão pequena e a versão grande - do tema "Utopia". O tema tinha letra de Ana Paula Reis que também produziu o disco em conjunto com Paulo Neves. A base instrumental foi gravada na Holanda e a música é da autoria de A. Larson e F. Martens.

Em 1985 foi editado o álbum "De Mim Para Ti" com produção de Zé da Ponte e Guilherme Inês. O disco incluía os temas "Espelho Meu", "Os Pontos Nos Is", "Amolador", "De Mim" e "Atina". 

Foi lançado um Máxi-single com os temas "Espelho Meu" e "De Mim...".

Em 2006 foi convidada no programa "Canta Por Mim" da TVI onde foi um dos nomes que chegou à final.

DISCOGRAFIA
Utopia (Máxi, Rádio Triunfo, 1984)
De Mim Para Ti (LP, Rádio Triunfo, 1985)

NO RASTO DE...
Ana Paula Reis casou-se com Domingos Piedade e foi viver para a Alemanha. Neste momento regressou a Portugal onde exerce psicologia.

Biografia retirada de Anos80

domingo, 15 de outubro de 2017

António Emiliano

António Henrique de Albuquerque Emiliano nasceu, no dia 25 de Janeiro de 1959, em Lisboa.

Desde cedo dedicou-se aos estudos musicais tendo mesmo frequentado o Conservatório Nacional de Lisboa. Aos 17 anos abandonou esses estudos optando por uma prática musical mais criativa tendo chegado a fazer parte de uma das formações do conhecido grupo Beatnicks.

Nos anos de 1977 e 1978 frequentou o 1º ano da Licenciatura em Engenharia Electrotécnica do Instituto Superior Técnico, da qual desistiu inscrevendo-se na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Em 1982 licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas (Estudos Portugueses e Ingleses).

Foi um dos músicos participantes no disco "Sonho Azul" de Né Ladeiras. Em 1983 e 1984 colaborou em vários espectáculos realizados no Frágil por Anamar e Luís Madureira.

Em 1985 produziu o disco "Em Pessoa" de José Campos e Sousa, com textos de Fernando Pessoa. Foi nesse ano que iniciou publicamente a sua actividade de criação musical fazendo a banda sonora da peça "Teatro de Enormidades Apenas Críveis à Luz Eléctrica", espectáculo baseado em textos de Aquilino Ribeiro, concebido por Ricardo Pais, Olga Roriz, Luís Madureira e António Emiliano, com cenografia e figurinos de António Lagarto, pelo qual recebeu o Prémio da Crítica para Melhor Música de Teatro.

Em 1986 foi o autor da música do bailado "Espaço Vazio" (com coreografia de Olga Roriz), das bandas sonoras dos filmes "Repórter X" de José Nascimento (onde também entra como actor) e "Duma Vez Por Todas" de Joaquim Leitão (pelas quais recebeu mais tarde o Prémio de Música do Instituto Português de Cinema) e ainda da peça "Anatol" com encenação de Ricardo Pais. Com Nuno Rebelo e Emanuel Ramalho formou os Vors Trans Vekta que duraram pouco tempo. Assinou ainda a produção e arranjos do disco "Na Vida Real" de Sérgio Godinho que viria a vencer o Se7e de Ouro 86 para Disco de Música Popular.

A edição da banda sonora do filme "Repórter X" de José Nascimento com música de António Emiliano e participação de Anamar, Sérgio Godinho e Rui Reininho esteve prevista para ser editada pela Ama Romanta.

Recebeu o Prémio da Crítica para Melhor Música de Teatro, pelo espectáculo "Anatol".

Em 1987 compôe a música do bailado "Treze Gestos de Um Corpo" de Olga Roriz. Produziu ainda os discos "Aguaceiro" de Lena d'Água e "Negro Fado" de Vitorino. Volta a colaborar com Luís Madureira.

Em 1988 fez a banda sonora do filme "A Mulher do Próximo" de José Fonseca e Costa e de "Voltar" de Joaquim Leitão.

"Gahvoreh", a primeira obra de Gagik Ismailian para o Ballet Gulbenkian, sobre uma música original de António Emiliano, foi estreada em Julho de 1988.

Foi também o autor da banda sonora da peça de teatro "FAUSTO. FERNANDO. FRAGMENTOS", uma encenação de Ricardo Pais para o Teatro Nacional D. Maria II. Recebe o Prémio Garrett especial de música.

Os discos "Fausto Fernando Fragmentos" e "Gahvoreh" foram editados em 1989 pela Transmédia. No entanto a editora foi à falência pouco tempo depois.

Assina a música de "Ad Vitam", com coreografia de Paulo Ribeiro, e de "Estranhezas", com coreografia de Paula Massano.

Recebe o Prémio Garrett 1989 Especial de Música (da Secretaria de Estado da Cultura) para o espectáculo "Fausto. Fernando . Fragmentos" e o Se7e de Ouro 89 para Disco de Música Instrumental Contemporânea para os discos "Gahvoreh" e "Fausto. Fernando . Fragmentos".

Em 1990 volta a colaborar com Joaquim Leitão, em dois filmes da série "Love At First Sight", e com José Fonseca e Costa no filme "Os Cornos de Cronos".

Faz a banda sonora do filme "Ao Fim da Noite" (1991) de Joaquim Leitão.

É o autor da semi-ópera "Amor de Perdição", com encenação de Ricardo Pais e coreografia de Olga Roriz, estreada em Novembro de 1991 no Teatro Nacional de São Carlos. A obra foi apresentada no Théâtre Royal de La Monnaie, em Bruxelas, por ocasião da Europália '91.

Em 1993 produziu a faixa "Matar Saudades" incluída na reedição do disco "Banda do Casaco Com Ti Chitas". Colabora na coreografia "The Seven Silences of Salome", estreada em Londres por ocasião da reabertura do Savoy Theatre de Londres. O espectáculo recebeu o Time Out Award para melhor bailado do ano.

Em 1994 assina a banda sonora do filme "Uma Vida Normal", novamente de Joaquim Leitão.

Por ocasião das comemorações do centenário do Infante D. Henrique colabora na "Miscelânea de Garcia de Resende", com encenação e dramaturgia de Rogério de Carvalho, que foi apresentada na Culturgest.

Assinou a banda sonora da "Tragicomédia de D. Duardos", de Gil Vicente, com encenação de Ricardo Pais, apresentada em 1996 no Teatro Nacional S. João.

Suspendeu a actividade artística em 1996 para se dedicar exclusivamente à docência e à investigação em Linguística.

Retomou a actividade artística em 2005. Em 2006 assinou a banda sonora do filme "20,13" de Joaquim Leitão.

DISCOGRAFIA
Fausto Fernando Fragmentos (CD, Transmédia, 1989)
Gahvoreh (CD, Transmédia, 1989)

Biografia retirada de Anos80

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

António Variações

António Joaquim Rodrigues Ribeiro, filho de camponeses minhotos, desde muito cedo revelou propensão para a música. Nascido em 3 de Dezembro de 1944, abandonou a sua aldeia natal (Lugar do Pilar, freguesia de Fiscal) em 1957 e foi para Lisboa, onde se dedicou a várias actividades profissionais desde empregado de escritório até barbeiro.

Em 1975 viaja até Londres, onde fica durante um ano e parte, depois para Amsterdão onde aprende a profissão de cabeleireiro. Esta aprendizagem servir-lhe-á para se instalar, novamente, na capital portuguesa; onde se estabelece com o primeiro cabeleireiro unissexo de Portugal. Esta actividade não resulta muito bem e, para ganhar a vida, abre uma barbearia na Baixa lisboeta.

Em 1978 grava uma maqueta com alguns temas, que apresenta à Valentim de Carvalho, com a qual assinará contrato.

Na sua própria descrição a música que produz situa-se entre Braga e Nova Iorque. É no programa "O Passeio dos Alegres" de Júlio Isidro que António se apresenta ao grande público (1). Os temas que cantou nessa emissão chamavam-se "Toma O Comprimido" e "Não Me Consumas" e ainda permanecem inéditos, uma vez que nunca foram registados em disco.

O primeiro trabalho que gravou foi o single "Povo Que Lavas No Rio", imortalizado por Amália Rodrigues (2). 

Amália era, aliás, uma das suas referências, que teve direito a uma canção de Variações ("Voz Amália de Nós"). O seu primeiro longa duração "Anjo da Guarda" (3) é também dedicado à popular fadista.

Neste disco participam Vítor Rua (com o pseudónimo Vick Vaporub) e Tóli César Machado, músicos dos GNR. Quem não recorda " É P'ra Amanhã" ou "O Corpo É Que Paga"? (4)

Durante o Verão de 1983 Variações é muito solicitado para espectáculos ao vivo, sobretudo em aldeias por este país fora.

Em Fevereiro do ano seguinte, António Variações entra em estúdio com os músicos dos Heróis do Mar para gravar o seu segundo longa duração que se intitulará "Dar e Receber".(5) O tema mais conhecido deste disco é, sem sombra de dúvidas, "Canção De Engate" que, posteriormente, se tornará um imenso sucesso numa versão dos Delfins.

Em Maio desse mesmo ano dá entrada no Hospital e, no dia 13 de Junho de 1984, morre em consequência de uma broncopneumonia bilateral grave. Será sepultado, dois dias depois, no cemitério de Amares (Braga), perto da sua aldeia natal, com a presença de poucos músicos acompanhando o funeral.

Com a sua morte desaparece um dos maiores renovadores da canção portuguesa das últimas décadas.

No entanto o seu espólio musical foi sendo aberto e Lena d'Água edita, em 1989, o disco "Tu Aqui" que inclui cinco composições inéditas de António Variações. (6) 

Em Janeiro de 1994 é editado um disco de homenagem a António Variações que reúne, em torno de versões do cantor, os nomes de Mão Morta, Três Tristes Tigres, Resistência, Sitiados, Madredeus, Sérgio Godinho, Santos e Pecadores, Delfins, Isabel Silvestre e Ritual Tejo.

Isabel Silvestre incluirá no seu disco de 1996 "A Portuguesa" o tema "Deolinda de Jesus" de Variações. Este tema, uma sentida homenagem de Variações à sua mãe (que se chama exactamente Deolinda de Jesus) é o contraponto de qualidade a todas as "Mães Queridas" e quejandos deste país.

Em 1997 é editado o CD "O Melhor de António Variações", o qual recupera material editado em todos os seus discos.

Em 2006 é editada a compilação "A História de António Variações - Entre Braga e Nova Iorque".

Se Variações não tivesse desaparecido tão precocemente, a música portuguesa seria diferente? Esta é a interrogação que se impõe, tendo em conta o que o cantor/autor fez, em tão pouco tempo, pela música portuguesa.

(1) Em 1980 o programa "Meia de Rock" da Renascença grava a canção "Toma O Comprimido" em casa do cantor e toca-a na rádio. No ano seguinte, António & Variações (o nome da banda que o acompanhava), cantam a canção no programa "O Passeio dos Alegres" de Júlio Isidro (um dos clientes da barbearia). O cantor apresentou-se na TV vestido de aspirina e lançando "smarties" para o público e para as câmaras...

(2) O contrato com a Valentim de Carvalho datava de 1977. O irmão, o advogado Jaime Ribeiro, pressiona a editora que acaba por vergar e António Variações entra finalmente em estúdio para gravar o seu primeiro disco. O single (e Máxi) de estreia, lançado em Julho de 1982,  incluía uma versão do clássico "Povo que lavas No Rio" e o inédito "Estou Além".

(3) Em 1998 o disco foi reeditado, em versão remasterizada, com a inclusão de "Povo Que Lavas No Rio".

(4) Disco com arranjos e produção de Tóli César Machado e Vítor Rua substituído posteriormente por José Moz Carrapa. A mudança corresponde também à saída de Vitor Rua dos GNR após uma pausa nas gravações do disco.

(5) A edição em versão remasterizada de "Dar e Receber" inclui o inédito "Minha Cara Sem Fronteira" (gravado nas sessões de gravação do disco) e duas remisturas desse tema.

(6) A versão em CD do álbum "Tu Aqui" de Lena d'Água inclui cinco temas inéditos e recupera a versão  do tema "Estou Além" incluída no álbum "Aguaceiro".

DISCOGRAFIA
Anjo da Guarda (LP, EMI, 1983)
Dar e Receber (LP, EMI, 1984)
O Melhor de António Variações (Compilação, EMI, 1997)
A História de António Variações - Entre Braga e Nova Iorque (Compilação, EMI, 2006)

SINGLES
Povo Que Lavas no Rio / Estou Além  (Single, EMI, 1982) - duplo lado A
Povo Que Lavas no Rio / Estou Além  (Maxi, EMI, 1982)
É P'ra Amanhã (Maxi, EMI, 1983)
É P'ra Amanhã/Quando Fala Um Português (Single, EMI, 1983)OCEQP
O Corpo É Que Paga (Single, EMI, 1997) - É P'ra Amanhã (remistura de Nuno Miguel)

REFERÊNCIAS/HOMENAGENS
O álbum "Tu Aqui" de Lena d'Água, editado em 1989, incluía cinco temas inéditos.
Anamar -"António Variações"
Madredeus - "A Sombra"
"A Festa da Música de Variações" - Espectáculo de  Fernando Pereira 
Versões (Delfins, Amarguinhas, Isabel Silvestre, M.D.A., etc...)
Disco de tributo
Documentário de Maria João Rocha
Concerto AVariações
Projecto Humanos

COMENTÁRIOS
Gostava de dar e receber, o António. O António Joaquim Rodrigues Ribeiro, o que nasceu no Minho, em 1945. Mas também o António Variações, que subia a rua do Carmo na década de 80, em Lisboa, e fazia os transeuntes virar-se para trás por causa de uma imagem peculiar. Barbas longas e roupas extravagantes aos olhos da maioria. Mas o António não queria saber. Procurava a provocação como forma de afirmar a sua independência. A sua identidade. Mas isso era partir do pressuposto que era uma personagem, coisa que não é verdade. Era genuíno, o António. Era como era. Na música foi um dos melhores. Tinha uma voz peculiar, mas era mais do que isso. Era aquela forma de apelar à memória colectiva, a uma certa tradição da música portuguesa, e mesmo assim produzir uma sonoridade profundamente modernista. De tal forma que, depois daquela madrugada de 14 de Junho de 1984, a sua música continua a manter a mesma pertinência. O álbum "Dar e Receber" foi agora reeditado - contém um inédito e duas remisturas inúteis - e quem não acreditar, faça favor de o ouvir. (Vitor Belanciano/Público)

Biografia retirada de Anos80

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Armando Gama

Armando António Capelo Dinis da Gama nasceu em Luanda no dia 1 de Abril de 1954. Em 1971 é editado o seu primeiro disco, com o Duo Marinho e Gama, que incluía dois temas da sua autoria.

Com Manuel Cardoso forma os Tantra em 1976. Sai do grupo em 1977, após a edição do álbum "Mistérios e Maravilhas". 

Em 1978 junta-se a Cris Kopke para formar o duo Sarabanda que dura até 1981.

Trabalha como arranjador e como produtor em vários discos (Dina, Mário Mata, Doce, Damas Rock, etc...). Interpreta o tema principal da série "Bana e Flapi" e as canções da  série "Sport Billy".

Armando Gama e os Cânone em 1981Armando Gama e os Cânone lançam, em 1981, o single "Miúda Funky".

No álbum "Quase Tudo", de 1982, aparece uma primeira versão do tema que iria marcar a sua carreira.

Em 1983 vence o XX Festival RTP da Canção, realizado na cidade do Porto, com "Esta Balada Que Te Dou". É aí que conhece a locutora Valentina Torres que foi a apresentadora do festival desse ano.

Foram feitas versões do tema em inglês ("When Love Has Gone", adaptação de Mike Sergeant), francês ("Ce Soir Je Chante", Kris Kopke) e alemão ("Dieses Lied Ist Mein Geschenk Am Dich", Jan Van Djck). O tema foi editado em 17 países e gravado por alguns nomes estrangeiros.

Em 1984 lança os singles "Mais Uma Canção" e "Amor Até Ao Fim".

O single "No Teu Abraço" foi editado pela Materfonis em 1986.

Armando Gama começa a cantar a duo com a sua esposa, Valentina Torres, com quem lança vários discos.

Em 1992 concorre ao XXX Festival RTP da Canção com o tema "Se Eu Sonhar".

Foi editada uma compilação de Armando Gama na série "Clássicos da Renascença" editada pela Movieplay em colaboração com a Rádio Renascença.

Em 2006 apresenta-se ao vivo com o espectáculo "Armando Gama o 5º Beatle". Grava um DVD experimental, com banda, a 13 de Maio, no Teatro Sá da Bandeira, em Santarém.

DISCOGRAFIA
Quase Tudo (LP, RT, 1982)

SINGLES
Miúda Funky/Não Vou Por Aí (Single, Polygram, 1981) [Armando Gama e os Cânone]
Esta Balada Que Te Dou/Jô (Single, RT, 1983)
Mais Uma Canção/Um Show Grandioso (Single, RT, 1984)
Amor Até Ao Fim/Cantor Popular (Single, RT, 1984)
No Teu Abraço/Qualquer Coisa (No Coração) (Single, Materfonis, 1986)
Adoro Chopin/Tele-Fonema (Single, Discossete, 1987)

COMPILAÇÕES SE
Clássicos da Renascença - Vol. 46 (Compilação, Movieplay, 2000)
Mona Lisa (Máxi-Single, Materfonis, 1986)
O Violino da Carolina/Sonho de Natal (Single, Discossete, 1988)
Maria Linda/Sim Ou Não? (Single, Discossete, 1989) 
Menina Agarra O Rapaz/Sempre Apaixonados (Single, Discossete, 1990)
Portugal Amor e Mar (CD, Discossete, 1993)
Cenas do Casamento (CD, Espacial, 1996)
Tu Tens Outra (CD, Espacial, 1998)

NO RASTO DE...
A solo armando Gama gravou um LP, cinco singles e um cd. Lançou depois vários discos com a sua esposa Valentina Torres. Em 2006, depois de alguns anos de paragem, foi comunicado a assinatura do duo com a editora Mundial.

Armando Gama é presença habitual no Casino do Estoril desde 1999 .´

Biografia retirada de Anos80


segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Carlos Maria Trindade

Carlos Maria Trindade nasceu em 1954. Ingressa no Conservatório de Lisboa onde faz os seus estudos de piano e composição.

Em 1971 forma os Soft Thud com Paulo Pedro Gonçalves. Em 1979 é um dos fundadores dos Corpo Diplomático que chegam a editar o álbum "Música Moderna". Depois do fim do grupo, formam os Heróis do Mar, em Setembro de 1980.

Em 1982 é editado pela Vimúsica o single "Princesa". O álbum "Tédio" chega a estar previsto mas não é editado devido à falência da editora.

Em 1986 produz o álbum "Spleen" dos Rádio Macau. Nos anos seguintes, produz o álbum "Circo de Feras" dos Xutos & Pontapés e os dois primeiros álbuns dos Delfins. Os Heróis do Mar terminam a sua carreira em 1989.

Em 1991 é editado o álbum "Mr. Wollogallu" de Carlos Maria Trindade e Nuno Canavarro. Ainda nesse ano, substitui Tozé Brito no lugar de A&R nacional da Polygram.

Em 1994, Carlos Maria Trindade produz discos de Issabary e  de Paulo Bragança. É convidado para substituir Rodrigo Leão nos Madredeus, abandonado o cargo de A&R.

Em 1996 é editado o álbum "Deep Travel" que incluí temas como "Sky and Soul", com a participação da cantora Natacha Atlas, e "Urban Monks" (o primeiro single). Produz o álbum "Love?" dos Santos & Pecadores.

Carlos Maria Trindade e Paulo Bragança participam na compilação "Onda Sonora - Red Hot + Lisbon" com o tema "A Névoa".

Produz o álbum "Fado Curvo" de Mariza (2003) que inclui dois temas da sua autoria, "O Deserto" e "Fado Curvo".

Colabora com Anabela no disco  "Aether" de 2005. Um dos temas de Carlos Maria Trindade é incluído no disco de duetos de Teresa Salgueiro.

É editado o disco "Música nAIVE"  (2006) dos No Data, projecto de Carlos Maria Trindade com Luis Bethoven.

DISCOGRAFIA
Princesa/Em Campo Aberto (Single, Vimúsica, 1982)
Mr. Wollogallu (com Nuno Canavarro) (CD, União Lisboa, 1991)
Deep Travel (CD, União Lisboa, 1996)

Colectâneas
Onda Sonora (1998) - A Névoa (com Paulo Bragança)
Noites Longas (1998) - Sky and Soul (Leaving Mouraria Mix)

NO RASTO DE...
É teclista dos Madredeus desde 1994.

Biografia retirada de Anos80

sábado, 7 de outubro de 2017

Carlos Paião

Carlos Manuel de Marques Paião nasceu em Coimbra no dia 1 de Novembro de 1957.

Em 1978 concorre ao Festival da Canção de Ílhavo onde obtém dois prémios, entre os quais o de melhor intérprete. Outro dos seus temas a concurso fica em 4º lugar.

É rejeitado por duas vezes na Valentim de Carvalho. Na última das vezes a sua mãe tinha pedido a Manuel Paião, primo direito do seu pai e conhecido compositor, que averiguasse se ele tinha talento ou se deveria concluir o curso de medicina que frequentava. Manuel Paião contactou Mário Martins mas o seu assessor disse que apenas tinha algum talento como letrista mas que não valia a pena. Como a resposta não era inteiramente conclusiva, Mário Martins decidiu ouvir as canções tendo ficado agradavelmente surpreendido com o que ouviu.

Carlos Paião participou numa das meias-finais do Festival da Canção de 1980 com "Amigos, Eu Voltei" mas não consegue chegar à final.

Mário Martins leva a Amália Rodrigues uma cassete com canções de Carlos Paião. Amália gostou tanto que quis logo gravar alguns das canções. Escreve "Canção do Beijinho" para Herman José que se torna um dos grandes sucessos desse ano chegando a disco de Ouro.

Em 1981 concorre com três canções ao Festival RTP da Canção mas só "Play-Back" é que é apurada. Grava um single com os outros dois temas ("Souvenir de Portugal" e "Eu Não Sou Poeta") que é editado um mês antes do Festival. A canção "Play-Back" acaba por vencer o Festival da Canção mas fica em penúltimo lugar no Festival da Eurovisão.

Em Novembro de 1981 é editado um novo single com os temas "Pó de Arroz" e "Gá-gago".

Carlos PaiãoEm 1982 escreve "Trocas e Baldrocas" para Cândida Branca Flôr que fica em segundo lugar no Festival RTP da Canção desse ano.

O máxi-single "O Senhor Extra-Terrestre", de Amália Rodrigues, com dois originais de Carlos Paião é editado em Fevereiro de 1982.

Carlos Paião lança com bastante sucesso um single com os temas "Marcha do Pião-das-Nicas" e "Telefonia (Nas Ondas do Ar)". Ainda nesse ano é editado o seu álbum de estreia, "Algarismos", com canções como "Zero a Zero" , "Canção dos Cinco Dedos" e "Meia Dúzia".

Em dueto com Cândida Branca Flôr concorre ao Festival RTP da Canção de 1983 com o tema  "Vinho do Porto (Vinho de Portugal)". O tema fica em 4º lugar.

Acaba o curso de Medicina em Novembro de 1983. Participa no programa "O Foguete" da RTP em conjunto com António Sala e Luís Arriaga.

Em 1984 colabora com Herman José no programa "Hermanias" onde escreve as canções da personagem "Serafim Saudade". Neste ano são lançados os singles "Discoteca" e "Cinderela".

Carlos Paião colabora entretanto com Cândida Branca Flôr na recolha de canções para o disco "As Cantigas da Minha Escola".

No início de 1985 é editada a compilação "O Melhor de Carlos Paião". Em Junho aparece um novo single com o tema "Versos de Amor".

O disco com as músicas e letras de Serafim Saudade é editado em 1985. Carlos Paião canta com o "verdadeiro artista" no tema "Prás Sogras que Encontrei na Vida".

Participa no World Popular Song Festival of Tokio, realizado em 26 e 27 de Outubro de 1985, com o tema "Lá Longe, Senhora".

Em Dezembro é editado o single  "Arco Íris", tema do concurso apresentado por Carlos Ribeiro.

Em 1986 escreve a canção "Bamos Lá Cambada", interpretada por José Estebes, que foi o hino não oficial da selecção portuguesa de futebol, no Mundial do México. Participa também na peça de teatro televisivo "O Carnaval Infernal".

Um novo single, com os temas "Cegonha" e "Lá Longe, Senhora", é editado em Dezembro de 1986.

Carlos Paião morre em 26 de Agosto de 1988 num trágico acidente de automóvel ocorrido na A1.

O disco que estava a preparar, "Intervalo", foi editado em Setembro de 1988, na data prevista inicialmente para o seu lançamento. O tema em maior destaque foi "Quando as Nuvens Chorarem" em dueto com Dina.

José Alberto Reis participou no Festival da Canção de 1989 com "Palavras Cruzadas", uma composição da autoria de Carlos Paião. Com outra das canções deixadas por Carlos Paião, "Sol Maior", representou Portugal num certame realizado em Xangai.

A compilação "O Melhor de Carlos Paião" foi reeditada em 1991 no formato de duplo-álbum

O álbum "Histórias" de António Sala, editado em 1993, inclui o tema "Pecado Capital" de Carlos Paião. Nesse ano é editada também a caixa "Carlos Paião" com os dois álbuns de originais e com um terceiro registo com "Os Singles".

O duplo CD "Letra e Música: 15 anos depois", editado em 2003, inclui 37 temas da autoria de Carlos Paião, entre eles o inédito "Caminhar".

Em 2006 é editada uma compilação com alguns dos temas escritos para outros artistas e algumas versões dos seus temas.

Carlos Paião escreveu para nomes tão diferentes como Herman José, Joel Branco, Cândida Branca Flôr, Amália Rodrigues, Nuno da Câmara Pereira, Peter Peterson, Trio Odemira, Octávio de Matos, Alexandra, Rodrigo, Lenita Gentil, António Mourão, Ana, Carlos Quintas ou Pedro Couceiro.

DISCOGRAFIA
Algarismos (LP, EMI, 1982)
O Melhor de Carlos Paião (Compilação, EMI, 1985)
Intervalo (LP, EMI, 1988)
O Melhor de Carlos Paião (Compilação, EMI, 1991) 2CD
Os Singles (Compilação, EMI, 1993)
Letra e Música: 15 anos depois (Compilação, EMI, 2003)
Perfil (Compilação, Som Livre, 2007)

SINGLES
"Souvenir" de Portugal/Eu Não Sou Poeta (Single, EMI, 1981)
Play Back/Playback (versão inglesa) (Single, EMI, 1981)
Pó de Arroz/Gá-gago (Single, EMI, 1981)
Marcha do 'Pião-das-Nicas'/Telefonia (Nas Ondas do Ar) (Single, EMI, 1982)
Meia Dúzia/Zero a Zero (Single, EMI, 1982)/
Vinho do Porto (Vinho de Portugal)/Instrumental (Single, EMI, 1983) (com Cândida Branca-Flôr)
O Foguete/Instrumental (Single, 1983) (com António Sala e Luís Arriaga)
Discoteca/Tenho Um Escudo À Minha Frente (Single, EMI, 1984)
Cinderela/A Razão (Single, EMI, 1984)
Versos de Amor/Os Namorados (Single, EMI, 1985)
Arco Íris/Lobo do Mar (Single, EMI, 12/1985)
Cegonha/Lá Longe Senhora  (Single, EMI, 12/1986)
Quando as Nuvens Chorarem/Perfume (Single, EMI, 1988)
Só Porque Somos Latinos (Single, EMI, 1988)
Mar de Rosas (Single, EMI, 1988)

COMPILAÇÕES SE
Pó de Arroz - Colecção Caravela (Compilação, EMI, 1996)
Cinderela - Colecção Caravela (Compilação, EMI, 1997) 
Play-Back - Colecção Caravelas (Compilação, EMI, 2004)
Grandes Êxitos (Compilação, EMI, 2006)

Biografia retirada de Anos80


quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Dina

Ondina Veloso nasceu, no dia 18 de Junho de 1956, em Carregal do Sal.

Entre 1975 e 1977 fez parte do Quinteto Angola. Em 1976, ainda com o nome Ondina Veloso, gravou dois EPs para a editora Alvorada.

Em 1980, já como Dina, participa no Festival RTP da Canção com o tema "Guardado em Mim", com letra de Eduardo Nobre. Ganha o prémio de revelação. São editados os singles "Guardado em Mim/Guarda Chuva" e "Pássaro Doido/Amar Sem Aviso". 

"Há Sempre Música Entre Nós", com letra de Cristiana Kopke e arranjos de Armando Gama,  foi um dos grandes sucessos do ano de 1981. Dina participa no Festival de Música de Slantchen Briag, na Bulgária, onde interpretou  um tema de um compositor búlgaro e "Há Sempre Música Entre Nós". 

Em 1982 regressa ao Festival da Canção com "Gosto Do Teu Gosto" e "Em Segredo". Os dois temas serão incluídos no álbum "Dinamite" desse ano. 

Colabora na banda sonora da novela "Vila Faia" com "Aqui Estou" (tema da personagem Joana). O tema, da autoria de Rosa Lobato de Faria e de Vitor Mamede, é lançado em formato single conjuntamente com "Porquê (meu amor porquê)?" de Miguel Santiago.

No ano de 1983 é editado um novo single com os temas "Conta Comigo" e "Pérola, Rosa, Verde, Limão, Marfim". O tema do lado b é o que obtém mais destaque.

Colabora entretanto na peça de teatro "Ouçam Como Eu Respiro" do Novo Grupo.

Participa no disco "Intervalo" de Carlos Paião onde interpreta "Quando As Nuvens Chorarem".

 O álbum "Aqui e Agora", com produção de Luís Oliveira e José Manuel Fortes, é editado, em 1991, pela UPAV. Quatro dos temas são da autoria de João Falcato e duas das letras são de Rosa Lobato de Faria. "A Ilha do Tesouro (Sair Daqui)" é da autoria de José Mário Branco (seu colega na UPAV) .

Em 1992 ganha o Festival RTP da canção com "Amor de Água Fresca", da autoria de Rosa Lobato de Faria. Em Malmô, na Suécia, fica no 17º lugar.

Foi a autora do tema do genérico da telenovela "Telhados de Vidro" da TVI, em 1993.

O álbum "Guardado em Mim" é editado em 1993. O disco inclui os inéditos "Soa Bem" e "Que Vamos Nós Fazer" e regravações dos seus temas mais antigos.

Em 1995, Dina comemorou os seus 15 anos de carreira com um concerto no Teatro da Trindade.

É autora da música do tema "Ai, A Noite", interpretado por Elaisa e com letra de Rosa Lobato Faria, concorrente ao Festival RTP da Canção de 1996.

O álbum "Sentidos", com letras de Rosa Lobato de Faria, é editado em 1997. No ano seguinte participa na banda sonora da novela "Os Lobos", exibida pela RTP, com os temas "Vitorina" e "Aguarela de Junho". 

O álbum "Guardado Em Mim" é reeditado em Junho de 2002.

Escreve alguns temas para a banda sonora da novela "Filha do Mar": a música da Constança e do genérico, com letra da Ana Zanatti, e a da Chica e do Guilherme, com letra da Rosa Lobato de Faria.

A telenovela "Sonhos Traídos" inclui os temas "Dura de Roer" e "Deixar-se Ir". É autora também de "A Luz Que Eu Vi" na interpretação de Lena d'Água.

Em 2004 colabora com Cassapo no tema "Só Tu" .

"Esta manhã em Lisboa" e "O teu olhar mentiu" são os temas que antecedem o seu regresso à ribalta após um acidente.

Ao longo da sua longa carreira, Dina gravou em dueto com nomes como Carlos Paião, Teresa Miguel (Doce), Adelaide Ferreira , José Alberto Reis ou Lara Li.
"Há Sempre Música Entre Nós" não foi aceite pelo júri do Festival RTP da Canção.

DISCOGRAFIA
Dinamite (LP, Polygram, 1982)
Aqui e Agora (LP, UPAV, 1991)
Guardado em Mim (CD, Vidisco, 1993)
Sentidos (CD, Noites Longas, 1997)
Guardado em Mim 2002 (Compilação, Vidisco, 2002)
Da Cor Da Vida (Compilação, Farol, 2008)

SINGLES
Madrugada / A Primeira Aula / Tudo É, Foi/ Há Quanto Tempo (EP, Alvorada, 1976) [Ondina Veloso]
Guardado em Mim/Guarda Chuva (Single, Polygram, 1980)
Pássaro Doido/Amar Sem Aviso (Single, Polygram, 1980)
Há Sempre Música Entre Nós/Retrato (Single, Polygram, 1981)
Dinamite/Nem Mais (Single, Polygram, 1982)
Aqui Estou (Single, RTP/Polygram, 1982)
Conta Comigo/Pérola, Rosa, Verde, Limão, Marfim (Single, Polygram, 1983)
Amor d'Água Fresca/aqui e Agora (Single, UPAV, 1992)

COMPILAÇÕES SE
O Melhor de 2 - Dina e Mário Mata (Compilação, Universal, 2001)

Colectâneas
Vila Faia (1982) - Aqui Estou (tema de Joana)
Os Lobos (1998) - Vitorina / Aguarela de Junho
Filha do Mar (2002) - Que É de Ti / Lençóis de Vento / Março Marçagão
Sonhos Traídos (2002) - Dura de Roer / Deixar-se Ir

Escreveram a novela, gravaram alguns episódios e depois convidaram os compositores: eu, a Mafalda Veiga e o Dany Silva.  A compositora é alguém que não deixa a música para trás. E como não compunha há já algum tempo, Dina dedicou-se e adorou o seu trabalho. É a própria que conta como foi o processo, "compus para três personagens e para o genérico de ‘Filha do Mar’. Fiz a música da Constança e do genérico, com letra da Ana Zanatti, e a da Chica e do Guilherme, com letra da Rosa Lobato de Faria. No fundo o genérico é a música do Salvador, um homem íntegro e fiel que se apaixona, daí que fale de amor. Foi uma música feita com muita força." Dina gosta mesmo é de se dedicar à música, a letra deixa para outros profissionais em que cujo talento acredita. Mas esta não foi a primeira vez que deu o seu contributo numa novela, "Compus um tema para a primeira novela em Portugal, a ‘Vila Faia’ e depois o genérico de ‘Telhados de Vidro’. Agora na ‘Filha do Mar’ gostei muito do resultado final. Gosto de compor e esta é uma maneira de valorizar algo com a minha música." Um objectivo está ainda por alcançar, "gostava de fazer uma música para um filme!". E o processo de criação é com base na inspiração, "Escrevo de acordo com o que sinto." Quanto aos projectos individuais como os seus álbuns, "Não tenho tempo para fazer discos mal feitos, a minha música é intemporal." E é aí em que acredita residir a sua qualidade.

Notícia retirada daqui


terça-feira, 3 de outubro de 2017

Eugénia Melo e Castro


Eugénia Melo e Castro (Maria Eugénia Menéres de Melo e Castro) nasceu, na Covilhã, em 6 de Junho de 1958. O seu avô Ernesto era maestro, compositor e violonista por isso não foi de estranhar que aos três anos já tivesse aulas de piano. 

Nos anos de 1977 e 1978, Eugénia fez parte do grupo de teatro "A Barraca". Ainda nesse período, participa no filme "Prá Frentex" de Joaquim Leitão. 

No verão de 1979 grava, com a colaboração de Júlio Pereira e Jaime Queimado, uma maqueta de quatro originais que se destinavam ao seu primeiro álbum (1).  Em 1980 é a apresentadora do programa "Quadrados e Quadradinhos" da RTP. 

Antes de lançar o seu primeiro disco, já tinha participado como cantora em discos de Sérgio Godinho, JúlioPereira, José Afonso e Fausto. Foi também a autora e intérprete da música da conhecida série de animação "Ouriço Cacheiro". E foi uma das fundadoras da cooperativa de música "Era Nova" com nomes como Sérgio Godinho ou Fausto.

Em 1981 desloca-se ao Brasil (2) onde trava conhecimento com o músico Wagner Tiso. O seu primeiro disco, "Terra de Mel", com a participação de músicos portugueses e brasileiros é editado no início de 1982.

O disco "Águas de Todos Ano", gravado no Brasil, foi editado em 1983. O single de apresentação incluía o tema "A Dança da Lua", em dueto com Ney Matogrosso.

Participa como actriz na telenovela "António Maria", da Rede Manchete, com Sinde Filipe. O tema do genérico é "A Dança da Lua". Em 1985 participa ainda no tema "Emissário de um Rei Desconhecido" do disco "Música em Pessoa". Uma música composta por Milton Nascimento sobre um poema de Fernando Pessoa, gravada com a participação especial de Toninho Horta no violão.

O álbum "Eugénia Melo e Castro III", gravado no Rio de Janeiro, em 1986,  inclui temas produzidos por  Wagner Tiso, Guto Graça Mello, Toninho Horta e Tulio Mourão.

A cantora é operada à tiróide. Após a convalescença grava o disco "Coração Imprevisto" no qual é acompanhada pelo piano de Wagner Tiso. No disco, editado em Fevereiro de 1988,  participam também os brasileiros Caetano Veloso e Zeca Assumpção e os portugueses Carlos Zíngaro e Pedro Caldeira Cabral.

Em 1989 é editada a dupla colectânea "Canções e Momentos" com uma selecção de temas dos discos "Terra de Mel", "Águas de Todo o Ano" e "Eugénia Melo e Castro III", dois temas novos ("Todo o Sentimento" e "Canções e Momentos") e uma nova versão de "Terra de Mel" com arranjos de Mário Laginha.

Em Setembro realiza seis espectáculos, com lotação esgotada, no Teatro Ipanema, no Rio de Janeiro. No Brasil recebe três prémios: o da crítica, o da imprensa brasileira e internacional e o da "mulher do ano" atribuído pela revista "AZ" de São Paulo.

Colabora no disco "Cais" de Ronaldo Bastos onde interpreta, em dueto com Ney Matogrosso, o tema "A Luz do Meu Caminho".

O disco "Amor é Cego e Vê", de 1990, inclui versões de temas portugueses do princípio do século alguns dos quais recolhidos no arquivo da RDP. Participam no disco nomes como Milton Nascimento, Gal Costa, Chico Buarque, Caetano Veloso e Ney Matogrosso. O espectáculo gravado pela TV Cultura no Memorial da América Latina, em S. Paulo, foi considerado um dos dez melhores do ano pela critica brasileira.

É apenas em 1990 que se estreia ao vivo em Portugal sendo um dos concertos no Teatro S. Luiz. Os espectáculos  contaram com a direcção musical de Mário Laginha.

Em 1993 é editado "Lisboa Dentro de Mim - O Sentimento De Um Ocidental". O disco é apresentado ao vivo no Centro Cultural de Belém.

O disco "Eugénia Melo e Castro Canta Vinicíus de Moraes" é editado em 1994. No ano seguinte colabora em "Amarga Vinha" de Carlos Lyra.

No disco "Ao Vivo Em São Paulo", gravado em São Paulo, em Novembro de 1995, interpreta criações de Tom Jobim e Vinicíus de Moraes" e versões de "Fado Tropical", "Argonautas" e "Fado Lisboa".

Participa como actriz no filme "Bocage, o Triunfo do Amor" de Djalma Limonge Batista. No filme interpreta o tema "Liberdade", poema de Bocage musicado por Livio Tragtemberg.

Colabora com o músico Fábio Tagliaferri no tema "Pela Manhã".

Em 1999 produz e apresenta o programa "Atlântico" que teve a participação de Nélson Motta, como convidado especial.

Nos dias 2, 3 e 4 de Junho de 2000, apresenta no Sesc Pompéia, em São Paulo, o espectáculo "Surpresas", com direcção de Wagner Tiso.

Em Novembro de 2000 são editados em Portugal os discos "A Luz do meu Caminho" e "Canta Vinicius de Moraes".

Em 2001, a cantora lança no Brasil a compilação "Eugénia Melo e Castro.com" e reedita os álbuns "Eugénia Melo e Castro canta Vinicius de Moraes", "Vaga Azul" (lançado originalmente como "EMC III") e "Eu Não Sei Dançar" ("Lisboa Dentro de Mim" aquando da 1ª edição em 1993). 

Em 2001 foi editado o disco "Recomeço", título escolhido para o primeiro disco da cantora, com os temas da maqueta que originou o disco "Terra de Mel", numa versão remasterizada. 

"Motor da Luz", gravado ao vivo, em Junho de 2000, é editado em Novembro de 2001. O disco que se esteve para chamar "Surpresas - 20 anos de Brasil" inclui  o tema "Surpresas", um inédito de Gonzaguinha com letra da cantora.

Em 2002  passa a assinar como Eugénia MC e é editado o CD "Paz". A cantora assina todas as letras e co-assina as músicas com o produtor do disco, Eduardo Queiróz. Recupera ainda o tema "Dentro" escrito em parceria com Pilar.

Grava "Paz ao Vivo" com edição prevista para o Natal de 2003. O single "dança_da_lua.2004.doc" (com a "moonshine mix" e "club remix" de "A Dança da Lua") foi lançado em Agosto. Grava em S. Paulo um show especial para a Sony Music Entertainment Television, para exibição nesse canal de televisão e edição em DVD.

O álbum "Des construção" é dedicado a Chico Buarque, o qual colabora nos temas "Olé olá", "Injuriado" e "Bom Conselho".

Em 2007 edita um disco com versões de temas portugueses, como "Amor", "Sonho Azul" ou "Romaria".

(1) "Recomeço" foi editado em 2001. A maqueta incluía os temas "Instrumental" e "Recomeço" (gravados como "Beco do Tiso" e "Começo de Mar") e mais quatro inéditos.

(2) «Eu defino este meu trabalho entre Brasil e Portugal como uma ponte feliz» EMC/JT

DISCOGRAFIA
Terra de Mel (LP, Polygram, 1982)
Águas de Todo O Ano (LP, Polygram, 1983)
Eugénia Melo e Castro III (LP, Polygram, 1986)
Coração Imprevisto (LP, EMI, 1988)
Canções e Momentos (Compilação, Polygram, 1989)
Amor é Cego e Vê (LP, Polygram, 1990)
Lisboa Dentro de Mim (CD, BMG, 1993)
O Melhor de Eugénia Melo e Castro  (Compilação, Polygram, 1993)
Canta Vinicíus de Moraes (CD, Megadiscos/Som Livre, 1994)
Ao Vivo Em São Paulo (CD, Som Livre, 1996)
Canta Vinicíus de Moraes (CD, Sony, 2000)
Ao Vivo Em São Paulo (CD, Som Livre, 2000)
A Luz do Meu Caminho (CD, MVM, 2000)
Eugenio Melo e Castro.com - Duetos (Compilação, Eldorado, 2001) - Brasil
Recomeço (CD, Som Livre, 2001)
Motor da Luz (CD, Som Livre, 2001)
Paz (CD, Som Livre, 2002) (como Eugénia MC)
Des Construção (CD, Megamúsica, 2005) (como Eugénia MC)
POPortugal (CD, Universal, 2007)

SINGLES
Beco do Tiso/Terra de Mel (Single, Polygram, 1981)
Dança da Lua/Meu e Assim (Single, Polygram, 1983)
dança_da_lua.doc.2004 (Single, Som Livre, 2003)


COMPILAÇÕES SE
O Melhor de 2 - Eugénia Melo e Castro/Gardénia Benrós (Compilação, Universal, 2001) 
A Arte e A Música (Universal, 2004)

Colectanêas
António Maria (1985) -
 A Música Em Pessoa (1985) - Emissário De Um Rei Desconhecido
Bocage - O Triunfo do Amor (1998) - Liberdade
Songbook Chico Buarque (1999) - Tanto Mar (c/ Wagner Tiso)

Notícia retirada daqui

domingo, 1 de outubro de 2017

Fernando Marques


Fernando Marques nasceu no Porto em 1955. Lançou o álbum "Suave" em 1987 que contava com a participação de Vitorino no tema "Anúncio".

Em 1990 foi editado o disco "Cantigas de Gil Vicente - A Barca da Vida" que foi um dos discos nomeados aos Prémios José Afonso desse ano.

Em 1997 lançou o álbum "O Encontro das Águas".

"Águas Que O Rio Leva ao Mar" é editado pela BMG com temas dos 3 discos que editou entre 1979 e 1987. Os temas são "Cais Da Pimenta", "Gin", "Meio Mundo Engana O Outro", "Aos Poetas Moçambicanos", "Onde Me Levas Águas Do Tejo", "No 24", "Rosa", "Desabafo", "Mário De Angola", "As Palavras" e "Desengano".

DISCOGRAFIA
Suave (LP, Fotossonoro, 1987)
Cantigas de Gil Vicente - A Barca da Vida (CD, Ovação, 1990)
O Encontro das Águas (CD, Ovação, 199*)
Águas Que O Rio Leva Mar (Compilação, BMG, 1997)

NO RASTO DE ...
Fernando Carmino Marques é doutorado pela Universidade de Paris-la Sorbonne, onde lecciona Língua, Cultura e Literatura Portuguesa desde 1992. Na mesma Universidade obteve o grau de mestre em Musicologia. Tem estudos publicados sobre teatro português do século XIX (José Agostinho de Macedo, Camilo Castelo Branco e António Nobre) e musicou Gil Vicente e Bernardim Ribeiro.

Notícia retirada daqui


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